quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009
Lista de Compras
-Cebola;
-Tomate;
-Sabão de côco;
-Ráguen-Dás (chocolate midnight cookies e morango);
-Banana;
-Granola;
-Óleo Coala;
-Maxi Goiabinha;
-Chocolate;
-Algo para que eu não morra de saudade (verificar disponibilidade).
Deve ser frase de parachoque de caminhão, mas quem inventou saudade possivelmente não sabia o quanto doía.
domingo, 25 de janeiro de 2009

Sabe, é agora que a gente consegue dar uma olhada para trás, e perceber que a verdade mora naquela vontade que o Frejat diz: “quando você fica triste que seja por um dia e não um ano inteiro.” E então é perceber que ainda “existe amor pra recomeçar” e que no fim das contas é amar que realmente importa.
Amar as bobeirinhas do dia a dia, amar até o fim das brigas (só o fim, porque o meio é dolorido) que teimamos em fazer pra no fim das contas descobrir que o amor multiplicou pra recomeçar. Amar saber que porta-níquel é porta-moeda, é pedir sorvete azedinho e trocar os copinhos; amar saber que na maioria das vezes o cansaço é facilmente vencido. Pelo amor pra recomeçar.
Os temas mais recorrentes nas palavras são saudade, amor. Eu falo sobre amor pra recomeçar. Pra recomeçar. Falo sobre desejos sinceros, e tento esconder no sorriso (sabe aquele “singelo e marcante”? sic) a felicidade por descobrir que em mim existe amor. Pra recomeçar. E que o amor pra recomeçar dura. Acima de todas as outras coisas, amor pra recomeçar, é amar a esperança de que no recomeço as coisas se acertem.
Daquele texto que diz que amar vale à pena, dá pra sentir na pele que vale. Daquele texto, que diz pra tomarmos café juntos. Daquele texto que diz nas entrelinhas: “talvez seja esse o amor”, e então lá vem, lá vem, amor pra recomeçar.
O que eu desejo não é que tenhamos a quem amar visto que isso já existe. O que eu desejo, é que quando estivermos bem cansados e olharmos no fundo das coisas ainda, ainda exista, amor pra recomeçar;
“No fundo, procure outra pessoa para amar um tanto, que dê até vontade de se casar com ela.
Namore.
Não importa o sexo, nem a idade.
E não se preocupe com o tempo que a paixão vai durar.
Se gostem. Se assumam. Se curtam. Se abracem. Beijos. Viagens.
E saiam para dançar sempre.
Tomem café da manhã juntos. Fiquem o domingo inteiro na cama, enquanto o mundo despenca numa chuva fria e fina.”
quarta-feira, 31 de dezembro de 2008
Carta para 2008
Olá 2008
Sei que você já está de saída, mas espera um pouco, você fez o que bem entendeu comigo durante o tempo que ficou aqui, agora você vai escutar algumas coisas.
Antes de mais nada, você é um canalha, você é o ano mais imaturo de todos que já conheci... e olha que eu conheço quase 18. Você chegou e brincou com todo mundo, deixou-me solto aqui agora, tentando encontrar um rumo. Você deixou toda a bagunça para 2009, que eu nem conheço ainda, mas que logo está chegando.
Ah 2008, pra quê? Será que você achava que dor pouca não era suficiente? Será que você achou divertido acabar com o que me fazia bem? Só te pergunto, pra quê?
Você vai embora mesmo, eu não tenho nada a perder, eu só quero que você saiba, e pra sempre carregue isso com você... você vai morrer em algumas horas, e tudo o que eu preciso é que você saiba disso. Não culpo as pessoas que estiveram presentes esse ano, eu culpo você 2008. Eu espero, realmente, que 2009 seja mais maduro que você, até porque eu já estou cansado de tanta pancada. E caso você já o conheça, e ele for brincar com todo mundo de novo (perdoe a minha cara de pau de te xingar antes e te pedir coisas agora, mas seja razoável, considere com carinho), por favor me leva junto com você...
Angustiadamente, Dario Tavares.
quinta-feira, 11 de dezembro de 2008
sobre palavras secretas
Deve-se olhar para o lado e dizer que aquilo é tudo o que você sempre esperou, ou o melhor a fazer é não verbalizar as coisas?
Deve-se segurar com muita força, e perceber que quanto mais se aperta mais o encaixe diz: "é disso que eu sempre precisei".
É basicamente como ter ficado ali, imóvel durante muito tempo, e junto com o vento, inesperadamente, olhar para o lado, e ter teu peito pulando de felicidade, e medo. É basicamente como ter ficado ali "segurando uma foto tua e dizendo às pessoas: se você vir essa garota, por favor, diga a ela onde eu estou";
É basicamente a mesma sensação de ter perdido o mundo, e depois de tanto tempo, quando ter perdido o mundo parecesse tão normal, você volta a ver que o mundo te faz falta, e que aquelas borboletas no estômago não são somente algo do passado, algo que não volta mais; que aquelas pernas bambas, que quase não conseguem te segurar, não são somente coisas de emoções passadas... os significados gritam, e os olhos são calmos, ternos, e a distância tem de ser segura.
Incrível como os olhos se enchem de lágrimas tão facilmente, pareceria fraqueza com qualquer outro alguém, mas não, você diz: "você nunca teve medo de mostrar o que você sente". Eu seguro tudo nos ombros, pego tudo no peito, e te protejo do que vir.
A única coisa que sei, é que eu não me movo, eu não me mexo, eu somente olho para o lado, e te digo: sou quem vai estar sempre ali, para quando você disser a palavra secreta.
segunda-feira, 1 de dezembro de 2008
sobre latinhas e chiados de canudinhos
aliás, sinto como se elas estivessem indo embora, como quando se toma um refrigerante e a latinha vai ficando levinha levinha, até ouvir-se o chiado do canudinho nas ultimas gotinhas de líquido.
Um dia ouvi um amigo dizer que sentia-se como se não pertencesse ao local onde mora, sentia-se como um viajante, apenas de passagem, pronto para ir embora, aliás, voltar para casa.
Ouvi de olhos, que a tristeza mais triste, é a tristeza de um pássaro aprisionado. Suas asas ficam fracas, e seu canto fica enfadado, cansado e melancólico.
Ouvi dos olhos que me fizeram feliz durante todos esses 17, quase 18 anos, ouvi dos olhos, não sempre dos mesmos, ouvi de olhos de já se apagaram, ouvi de olhos que nem me olham mais, mas que em certas circunstâncias, já fui de muito agrado, além de olhos, ouvi de abraços, ouvi de sorrisos.
Como disse no começo, sinto que tudo isso ta acabando. Mas é só essa parte que acaba, depois dela vem outra e depois mais outra e mais outra.
Descobri que a vida pode ser bonita, mesmo tendo essa cara tão complicada, e descobri, que agora, quero ir.
A latinha fica leve, levinha, bem levinha, de repente, o chiado do canudinho.
É só fechar os olhos, e saber que agora vem mais, e que é tudo diferente do que vocâ já viu ou imaginou, e por isso pode ser difícil.
Mas quer saber? Tô dentro, to indo pra lá.
Lá onde?
Vai saber, apenas to indo.
e sorrindo.
segunda-feira, 13 de outubro de 2008
recomeço do começo do ínicio do meio do quase fim
Somente pra recomeçar, vou tentar escrever sobre o que tenho visto.
Ficar algum tempo de férias ajuda viu, te deixa muito mais sensível a coisas que você gosta, a coisas que você geralmente adora enxergar. Outro dia, ouvi alguém dizendo, pesquei de uma conversa qualquer a seguinte frase: “nunca subestime o poder de uma carta bem escrita.” E então me coloquei a pensar, quando foi que eu escrevi uma carta bem escrita? Por onde eu começo pra escrever uma carta bem escrita? O que eu quero dizer em uma carta bem escrita? Sempre adorei escrever, foi nas palavras que me encontrei, me encontrei de tanto me perder no meio delas, nunca me chamaram atenção os números, aliás, eu até os acho bem feios. Mas voltando às palavras, elas são lindas, podem dizer tanta coisa, tanto quanto podem dizer nada, ou parecer dizer nada e ter a pretensão de dizer mil coisas, ou simplesmente parecerem imponentes mas totalmente vazias de significado. Outra paixão, são as viagens, pode parecer um tanto stalker, mas viajar é bom, tão bom quanto sentar-se para assistir a um espetáculo, uma encenação ao vivo, uma encenação sem ensaios. Nunca pude ver tantas pessoas quanto em um aeroporto, nunca pude ver tanta gente diferente, nunca pude olhar para tantos rostos trazendo e levando tantas coisas. Trazendo lembranças, trazendo olhares, trazendo saudade, trazendo alegria, trazendo esperança, desesperança, uma profusão de sentimentos, uma onda de valores, crenças, ensinamentos, e uma onda de vazio. E elas trazem palavras, palavras diferentes para um mesmo significado, palavras iguais para significados diferentes, e então tudo vai parecer envolvido por significados. Mas é exatamente esse o ponto... Depois de quase seis meses de um confinamento por escolha, de uma ausência consentida, ver tudo isso de uma vez só, foi quase como reaprender a enxergar significados, reaprender a enxergar alguma vida, enxergar de novo como pela primeira vez, e eu percebi que não perdi a paixão pela vida... é estranho presenciar seu próprio renascimento, assim como deve ser estranho e sem significado presenciar o renascimento de uma pessoa sem conhecer sua história. Complicado não?
Não sei o quanto isso é perceptível para as outras pessoas, mas escrever as vezes faz você se perder, e eu sinto isso tão natural, e não que seja ruim, às vezes é simplesmente o curso das coisas se alterando para o que é necessariamente para ser escrito, algo como “estava escrito para ser escrito”.
Não sou muito de destinos, não sou muito de achar coisas predestinadas, mas às vezes sem perceber o que é pra ser escrito eu já escrevi, simplesmente não conhecia até sentar aqui na frente, e olhar para a tela branca pedindo letras. Um tanto metalinguistico.
Daqui dessa janela, eu vejo o sol chamar o gramado de ‘meu bem’, vejo a parreira de uvas pedir por um calor não tão forte, um tanto fresca, mas pede. Depois ainda assisto o sol ir fazendo sombra no telhado, passear por todo o quintal do fundo, por todo o pátio da casa, até se acabar no finzinho do muro, depois vem a lua, e depois as estrelas, e mais uma vez tudo recomeça. É o significado de ter paz, é o significado de não estar gritando, de não estar chorando, de não estar efusivo, é o significado de estar tranqüilo, e não implique com as tremas, nasci nos anos 90, aprendi que trema era utilizado, e perdão, hoje sou velho e mudar velhos hábitos seria como perder a identidade. As próclises pedem por ficar em lugar das ênclises, e fazem bem seu papel.
Preciso de um copo d’água, falar demais dá sede. Fico aqui.
sábado, 26 de julho de 2008
Ao Pessimismo
Se hoje você conhece cada pedaço do meu corpo é porque antes de me deitar contigo, deitei-me com o conformismo, deitei-me como uma prostituta e depois de tê-lo em minha carne pude saber quem era você.
Saiba Pessimismo, eu já fui feliz, já fui feliz sim, não ria de deboche! Já acordei com bilhetes de "amo você" colados na geladeira, já recebi elogios dos mais distintos, já recebi flores, então se hoje é você quem encosta os lábios em meu pescoço, saiba que é tudo obra do Cansaço.
Eu bem sei que foi você quem pediu a ele que fizesse todo o trabalho sujo, bem sei... Pronto, cá estou eu, deitado em seu leito imundo, sentindo nojo, querendo ir embora mas com a dor de não ter para onde ir. Ah, Pessimismo, ninguém é teu por querer pertencer, a quem você diz amar ao se deitar, de quem você comenta se deitar para seus amigos é só quem caiu em teu jogo como eu.
Todos teus amantes são tristes, todos teus amantes são machucados, todos teus amantes não sabem mais o que é sorrir com sinceridade, todos teus amantes não dedicam nada a ti a não ser o corpo, que já nem lhes pertence mais, por cansaço de carregá-lo.
Toma, abraça-te a este corpo, que de dor eu já não vivo mais aqui, toma, amasse, violente, é você quem nunca vai saber o que é amar de verdade.
Embora eu não saiba mais eu soube, o que me coloca em extrema vantagem em relação a você, embora eu não tenha mais esperanças, eu fui... Mas e você que nem mesmo sabe que por amor se sofre, que nem mesmo sabe o que é o brilho dos olhos do coração que se entrega a ti por querer pertencer, e você que só vive como parasita, e você que não morre?
Não me incomoda mais sua presença, a você, toda minha indiferença a partir dessa carta.
Irritantemente, Dario Tavares.
